DIÁRIO DE UM LOUCO

por Pedro Galiza

ESTREIA ABSOLUTA

20 NOV 2015 • 23h00

Cine-Teatro Garrett • Subpalco
Teatro • ≈ 1 h 05 min • M/12 • 5€
Espectáculo em Português

Sinopse

“Ainda que isto seja loucura, há aqui método.”
“Hamlet”, William Shakespeare

Um homem, funcionário público, fidalgo, bem-pensante, arrogante, sumamente pobre, orgulhoso membro das classes altas da sociedade russa de meados do século XIX, redige, à luz da vela, o seu diário, traduzindo, em palavra escrita, os assombros, frustrações, medos e amores que, à clara luz do dia, não ousaria jamais enunciar.

Numa viagem tortuosa, cómica e patética, este homem, a cada parágrafo mais perto da vertigem delirante e abandonada, lega ao papel (e ao público) o único tesouro que possui: a sua imensa e inconformada imaginação. Indomável vontade de se ser mais do que se é, de se ter mais do que se tem e de se aspirar, sempre, àquela derradeira paixão que todos, de uma forma ou outra, partilhamos: o desejo de se ser compreendido. Louco, sim, como Gogol o descreve no título. Mas também lírico, sensível, apaixonado, herói tragicómico de uma sociedade envernizada e corrupta, vítima impotente dos seus superiores, capataz empedernido dos seus inferiores, um homem, enfim, do seu tempo. Mas também de todos os tempos e, definitivamente, deste nosso tempo. Substituam-se os nomes das ruas, os cortes das casacas e os títulos dos oficiais e este é um diário que nos assenta como uma luva…

Numa proposta teatral agreste, onde a liberdade criativa do actor respira no espaço vazio, minimalista, da cena, é na estreita relação entre o corpo enunciador do intérprete e o público que este espectáculo se edifica. Não há aqui voyeurs passivos e protegidos por uma imaginária quarta parede. O público é o papel onde o nosso louco irá escrever o seu diário. Mais do que testemunhas ou juízes, os espectadores são amigos, são o último refúgio de uma alma em sobressalto permanente…

Ficha Técnica e Artística

“Diário de um Louco” de Nicolai Gogol
Ideia Original, Tradução (a partir da versão inglesa de Claud Field), e Interpretação Pedro Galiza
Encenação Giselle Stanzione
Assistência de Encenação Inês S Pereira
Espaço Cénico, Design de Luz e Figurinos Pedro Morim
Banda Sonora Mikhail Glinka, Sergei Rachmaninoff, Franz Liszt, Mily Balakirev e Modest Mussorgsky
Design Gráfico Adriana Leites
Motion Design e Fotografia Nuno Leites
Produção Marácula – Associação Cultural
© Foto Nuno Leites

Biografia

Pedro Galiza nasceu em 1986 na Póvoa de Varzim. É formado em Teatro-Interpretação pela ESMAE/IPP. É formador de Expressão Dramática desde 2005. Trabalhou com as companhias de teatro Assédio e Ensemble. Foi dirigido por João Cardoso, Emília Silvestre, Rogério de Carvalho, Carlos Pimenta, Jordi Ribot Thunnissen, entre outros. Encena, em 2012, “Macbeth” para a companhia InMediaRes em Barcelona. De 2008 a 2015, integrou a direcção d’ A Filantrópica, onde foi também formador do Pelintra – Grupo de Teatro e colaborou como produtor e programador do Philantra – Festival de Arte Independente. Co-fundou a Marácula em 2013, exercendo, actualmente, as funções de director artístico e actor. Integra, desde 2015, a equipa de produção e programação do FIS – Festival Internacional de Solos, e dirige o Núcleo de Expressão Dramática Devisa da ESRP/Póvoa de Varzim.