SAPO AL VAPOR

por Giselle Stanzione

ESTREIA ABSOLUTA

22 NOV 2015 • 22h00

Cine-Teatro Garrett • Café-Concerto
Teatro Físico • ≈ 50 min • M/12 • 5€
Espectáculo em Português

Sinopse

Num estúdio de televisão, uma chef famosa chega para nos deliciar com as suas magníficas receitas. Assim, da forma mais extravagante possível (como não podia deixar de ser para conquistar os corações das massas), é-nos ensinado como cozinhar um prato muito em voga: uma ditadura moderna. Admiramos a metaforização dos ingredientes básicos e dos métodos apropriados para levar a cabo uma receita tão popular.

Num exercício de exposição máxima, a nossa intérprete oferece-nos uma visão simples e crua da realidade política dos nossos tempos onde a discussão não passa por esquerdas e direitas, incidindo antes sobre quem manipula melhor, quem convence mais eficazmente as nozes a sair voluntariamente das suas cascas para que sejam cozinhadas sem que se apercebam.

A vilania nua, de faca e alguidar, esbracejante e histérica, é demasiado óbvia. Traça linhas demasiado carregadas na areia: deste lado, o opressor, desse, o oprimido. Não. Há já décadas que enterrámos o absolutismo espampanante e selvático de bigodinho curto, risquinha ao lado, mãozinha no ar e olhinhos alucinados de quem grita a plenos pulmões “Invado a Polónia e depois logo se vê…”

Essa é uma água que borbulha e ferve e queima, mas que incita à rebeldia por parte dos visados. É uma água violenta, sim, bárbara, sem dúvida, retrógada, xenófoba, imperialista, fascista, que embala na campa milhões de almas e mergulha o mundo nas trevas do apocalipse, mas, ao menos, ao menos, é honesta. É uma água clarinha e transparente, um lago efervescente de maldades declaradas e catalogadas. A água tépida da ignorância onde entramos em paz e pelo nosso próprio pé, cuja temperatura sobe sem que demos conta e que quando ferve é já tarde demais, essa é a água onde se cozem os sapos. Que são exactamente como nós.

Ficha Técnica e Artística

Ideia Original, Concepção Plástica, Interpretação e Voz-Off Giselle Stanzione
Dramaturgia Giselle Stanzione e Pedro Galiza
Encenação Xavier Torra
Espaço Cénico e Design de Luz Pedro Morim
Design Gráfico Adriana Leites
Design de Vídeo , Motion Design e Fotografia Nuno Leites
Produção Marácula − Associação Cultural
© Foto Nuno Leites

Biografia

Giselle Stanzione nasceu em 1989 em Caracas, Venezuela. É formada em Interpretação / Teatro de Gesto pelo Institut del Teatre de Barcelona e integrou cursos intensivos de dança ministrados por Matej Matejka, Guy Nader e Maria Campos. Trabalhou com Montse Bonet, Sophie Kasser, Joan Cusó, Alfred Cases, Núria Mestres, Álvaro de la Penya, Jordi Ribot, Pere Sais, entre outros. Desenhou e construíu marionetas para a Marácula e para o grupo A-Pin, de Ametlla de Mar. Co-fundou a Marácula em 2013, exercendo, actualmente, as funções de actriz, apoio à produção e logística. Em 2015, participou como actriz no FIS – Festival Internacional de Solos. Estuda Mimo Corporal Dramático na MOVEO e lecciona aulas de danças Latinas em Cerdanyola del Vallès.